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CARREIRA

Liderança Feminina

Uma das competências que têm facilitado a evolução feminina é a sua polivalência, ou seja, a capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo, sem prejuízo da qualidade.

Por Bete D’Elia

As mulheres já mostraram a sua competência no mercado de trabalho, o investimento na capacitação e o estilo de liderança de vanguarda, que aglutina pessoas, valoriza equipes e otimiza resultados. Vejo essa evolução de maneira muito positiva, porque particularmente acompanho e faço parte desse movimento, pelo contato direto com a liderança feminina, em vários segmentos profissionais.

Hoje, vemos mulheres liderando empresas de todos os ramos de negócio e essa tendência, estudada por vários gurus da administração promete ser cada vez mais ascendente. Entre eles, aprecio muito o posicionamento de Tom Peters, que atribui seu sucesso ao fato de contratar mulheres. Segundo ele, os atributos do perfil predominantemente feminino são decisivos para a nova economia. Tom Peters diz que as mulheres têm uma capacidade de aprendizagem muito superior a dos homens e características pessoais que atendem aos requisitos de liderança da nova economia.

Na minha visão, uma das competências que têm facilitado essa evolução feminina é a sua polivalência, ou seja, a capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo, sem prejuízo da qualidade. O uso da intuição, hoje um diferencial qualitativo para a tomada de decisões e a disposição permanente de aprender e se capacitar. As pesquisas indicam que a mulher está mais presente que os homens nos cursos de graduação e pós-graduação. Para exemplificar, destaco algumas características, em que as mulheres se sobressaem no estilo de liderança:

- As mulheres têm mais flexibilidade e apostam no empowerment
- Entendem de relacionamentos e são facilitadoras do processo de gestão
- Confiam mais nas pessoas
- São determinadas e criteriosas
 - Investem mais na capacitação
- Cumprem prazos e mantém o foco nos objetivos e metas


Além das competências já citadas e que têm sedimentado essa evolução, o que é importante desenvolver são aquelas nas áreas de Finanças e Economia. Hoje, já temos exemplos de grandes mulheres que foram presidentes de grandes empresas e todas elas, além dos requisitos já citados tinham também o domínio dessas áreas, que são decisivas para o negócio. Dois exemplos são: Eneida Bini, ex-presidente da Avon e hoje presidente da Herbalife e Maria Silvia, ex-presidente da CSN e hoje membro do Conselho de Administração de várias empresas.

O comando feminino ainda não é homogêneo. Há dois enfoques sobre essa questão. A mulher que desenvolveu essas competências e ajudou a fortalecer o perfil atual de liderança, desejado pelas empresas de vanguarda, é uma líder que agrega pessoas, compartilha a informação, valoriza o trabalho de equipe, divide o poder, incentiva o crescimento. Com certeza é uma líder que a equipe tem orgulho e prazer em fazer parte. Porém, temos também alguns modelos que se inspiraram nos padrões de liderança antigos, mas que eram os vigentes na época. Como esses modelos tinham como regra o comando autocrático e a participação limitada das pessoas, a satisfação de participação é conseqüentemente menor.

Mesmo com a evolução ocorrida e a visibilidade no mercado, há ainda resquícios do preconceito. Enquanto conceito, já foi erradicado. Mas, ele ainda sobrevive em alguns critérios. O que é consenso entre as lideranças é que a mulher, mesmo em postos número um de comando e em outros representativos, ganha menos que o homem.

As tendências mundiais indicam que o fator conhecimento será a grande moeda que equilibrará o jogo salarial. Como as líderes femininas estão estudando mais, essa diferença tende a desaparecer. Segundo a revista HSM Management, nº 43, edição de abril 2004: em 2010 a proporção entre mulheres e homens de bacharelandos prestes a receber o diploma será de 1,42% mulheres e 1% homens. Para diplomas de mestrado essa proporção será 1,51% mulheres e 1% homens. Segundo a revista, o diploma será o melhor indicador de sucesso financeiro futuro.

O perfil de liderança pode ser desenvolvido, com estudo, vivência, experiência, troca, intercâmbio e maturidade para dar e receber feedbacks. Tenho acompanhado a evolução de muitas líderes que escolheram esse caminho para evoluírem. A minha trajetória também foi pela capacitação e pela experiência prática, formal e informal. Acredito muito nesse caminho e tenho certeza de que grande parte das nossas lideranças atuais e das que virão, trilharão o caminho qualitativo do aprender permanente.

Bete D´Elia é diretora Toucher Desenvolvimento Humano, palestrante, instrutora de Cursos e autora do livro Profissionalismo não dá para não ter, da Editora Gente - www.betedelia.com.br

 

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