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Somos frutos da paisagem em que vivemos; ela dita nosso comportamento e até nossos pensamentos, na medida em que reagimos a ela.
(Laurence Durrel)

MULHER DE HOJE
Apesar de ter seus direitos garantidos pela Constituição, a mulher brasileira sabe que ainda há muito a conquistar.

Só para ter idéia da importância das mulheres, basta saber que elas representam mais da metade da população brasileira. Segundo o Censo 2000, dos 169.799.170 habitantes do país, 86.223.155 são mulheres.

A tendência atual da população brasileira é um processo de envelhecimento, ou seja, há menos crianças e jovens do que antes. Por isto, a média de idade das mulheres hoje é maior do que há vinte anos. Veja só:

Idade mediana da população feminina Brasil - 1980/2000

Em 2000, as responsáveis pelos domicílios eram 12,9% em relação ao total de mulheres. Veja no gráfico

Proporção de mulheres responsáveis pelos domicílios Brasil - 2000

Agora, vamos levar em consideração o total de domicílios que foram pesquisados, e com base nisto calcular quantos destes têm uma mulher como responsável. Acompanhe o gráfico abaixo

Proporção de pessoas responsáveis pelos domicílios particulares permanentes por sexo Brasil - 2000

As mulheres já são responsáveis por 24,9% dos domicílios do Brasil. Na Região Sudeste, esta proporção é a maior: as mulheres estão à frente de 25,9% dos domicílios. Na Região Nordeste a proporção também é grande: 25,6%. Só que, no caso desta região, o resultado pode ser também por causa de um fenômeno muito comum: os homens nordestinos costumam migrar para outras regiões, em busca de melhores condições de vida. Com isto, aumenta o número de mulheres que são o “arrimo da família”.

É interessante pensar em alguns fatores que influenciam o aumento do número de mulheres responsáveis pelo domicílio.

 

  * a alta expectativa de vida da mulher em algumas cidades ou região:
a mulher assume a liderança da casa após a morte do companheiro. Isto contribui para o aumento do número de mulheres que moram sozinhas. Segundo o Censo 2000, 53% das mulheres que moram sozinhas têm mais de 60 anos de idade.
* casamentos desfeitos:
a mulher, separada do marido, torna-se responsável pelo domicílio sozinha ou com os filhos.
* homens que migram:
de seu estado ou região em busca de emprego ou por outros motivos.
* aspectos culturais:
as mulheres que valorizam a autonomia, independência e busca profissional muitas vezes preferem morar sozinhas. É simplesmente uma opção, uma questão de ponto de vista.

Porto Alegre é a capital que mais tem mulheres morando sozinhas, seguida por Florianópolis, Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo. Manaus, Belém e Macapá são onde menos há mulheres vivendo sozinhas.

A idade destas mulheres que são responsáveis pelo domicílio é variada, mas se concentra na faixa dos 60 anos de idade ou mais. Veja o gráfico com esta distribuição por idade:

Mulheres responsáveis pelo domicílio, segundo a faixa etária Brasil - 2000

A taxa de alfabetização entre as mulheres varia de acordo com a região do Brasil. A Região Sul é onde a taxa é maior: 92,4%. Veja como no Nordeste e Norte a proporção é menor: 77,7% e 85,4%, respectivamente.

Mesmo com estas diferenças que precisam ser superadas, as mulheres não devem nada, em matéria de alfabetização, para os homens. A taxa de alfabetização das mulheres de 10 anos ou mais é maior do que a dos homens: 87,5% contra 86,8%. Pouquinha diferença? É, mas não esqueça que no Brasil há mais mulheres do que homens!

As responsáveis pelo domicílio hoje, como mostra o Censo 2000, estão mais preparadas. O problema que continua a existir são as diferenças entre as Grandes Regiões: no Nordeste, as chefes de domicílio ainda apresentam a maior taxa de analfabetismo e baixa escolaridade em relação às outras regiões, principalmente Sul e Sudeste. Compare os dois gráficos (das regiões Sul e Nordeste) e veja as diferenças entre eles:

Mulheres responsáveis pelo domicílio, por classes de anos de estudo Região Sul - 2000

Mulheres responsáveis pelo domicílio, por classes de anos de estudo Nordeste - 2000

Outra novidade trazida pelo Censo 2000 é que as brasileiras já representam 41,39% da população economicamente ativa do país, muitas vezes tendo que encarar uma dupla jornada de trabalho, como profissional e dona de casa.

Infelizmente, esses números não se traduzem em vantagens práticas na vida das mulheres. Embora muito elas tenham conseguido na sua luta por igualdade e melhoria das condições de vida e trabalho, ainda é comum encontrar mulheres que ganham menos que os homens desempenhando a mesma função. Dados do IBGE, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD 2003, revelam que o rendimento médio mensal dos homens é de R$ 722,00, enquanto que o das mulheres fica em R$ 456,00.

A saúde da mulher é outro assunto que merece atenção especial, sobretudo dos governos. O último Relatório sobre o Desenvolvimento Humano no Brasil, desenvolvido em 1996 pelo Programa das nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), apresenta números preocupantes: taxa de mortalidade materna de 124 para cada 100 mil mulheres, sendo a maior causa de morte ocasionada pela deficiência nos serviços de saúde e falta de qualidade no atendimento pré-natal.

Por fim, a violência é outro aspecto negativo ainda presente na vida de muitas mulheres. O relatório já citado mostra que 66% das vítimas de agressões na família são mulheres, e quase sempre o homem é o agressor, muito freqüentemente o marido. Algumas iniciativas, como a criação das delegacias de mulheres, têm contribuído para denunciar essa situação, mas não há estatísticas completas sobre a violência contra a mulher. Estima-se que os fatos registrados não representam nem 10% da violência que realmente é praticada, sobretudo por vergonha ou medo por parte das vítimas.

Diante de tudo isso que ainda precisa ser mudado, o importante é saber que ao respeitar os direitos da mulher todos estarão contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa, saudável e feliz.

Fonte: IBGE

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