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SAÚDE DA MULHER

CÓLICAS  MENSTRUAIS

       O sangramento mensal é, por si só, considerado um acontecimento desagradável pela maioria das mulheres. Quando acompanhado de cólicas, porém, esse mero incidente da agenda feminina pode se transformar num episódio cíclico de intenso sofrimento, com sérias repercussões nas atividades domésticas, sociais, escolares e profissionais. Um estudo realizado em 1990, nos Estados Unidos, estimou que as cólicas menstruais eram responsáveis pela perda anual de 600 milhões de horas de trabalho, o equivalente – naquela época - a dois  bilhões de dólares (!).

       O termo médico para as cólicas menstruais é dismenorréia (do grego, dis = difícil; menes = menstruação; reo = fluxo). Para efeito de estudo e diagnóstico, classificamos a dismenorréia em primária e secundária. Quando a dor não está associada a nenhuma patologia ou alteração anatômica dos órgãos genitais, dizemos que a dismenorréia é primária ou essencial. Se a causa da dor pode ser identificada (hímen imperfurado, endometriose, tumores pélvicos, DIU, etc.) a dismenorréia é classificada como secundária. Neste artigo abordaremos exclusivamente a dismenorréia primária; um problema que afeta uma em cada duas adolescentes.

 

       A cólica é a manifestação dolorosa da contração intensa das paredes musculares de órgãos cavitários, como o estômago, os intestinos, a vesícula biliar, os ureteres, a bexiga e o útero. No caso específico deste último, um grupo de substâncias chamadas prostaglandinas - produzidas pela camada mais interna do próprio útero - tem um papel fundamental no desencadeamento da dismenorréia primária. O excesso na produção de prostaglandinas é mais pronunciado nos ciclos ovulatórios, razão pela qual as primeiras menstruações das adolescentes – que ainda não ovulam - são indolores. Horas antes, ou logo após o início do sangramento, as prostaglandinas começam a atuar, provocando contrações uterinas descoordenadas e intensas (dor). Outros sintomas, como náuseas, vômitos e diarréia, também podem fazer parte do quadro clínico.

       O diagnóstico da dismenorréia primária tem por base a história clínica da paciente – geralmente, trata-se de uma mulher com menos de 25 anos de idade, que nunca engravidou, cujo exame ginecológico é absolutamente normal.

       Os tratamentos não-medicamentosos para as cólicas menstruais incluem práticas caseiras como a clássica bolsa-de-água-quente (aplicada sobre o ventre) e o chá de camomila... A estimulação elétrica transcutânea - conhecida como TENS pelos fisioterapeutas - e a acupuntura também se propõem a aliviar esse tipo de dor, apresentando resultados positivos, superiores aos de um placebo.

       Atualmente, a terapêutica médica (farmacológica) para a dismenorréia primária apóia-se no fato de que a ovulação, e o eventual desequilíbrio na produção de prostaglandinas por ela provocado, são os principais responsáveis por esse desconforto. Portanto, existem duas linhas de tratamento: a primeira visa evitar a ovulação, com o uso de anticoncepcionais hormonais (anovulatórios); a segunda tem por objetivo diminuir a síntese e os efeitos das prostaglandinas, por meio de medicamentos conhecidos como antiinflamatórios não-esteróides (ibuprofeno, naproxeno, piroxican e inibidores da COX2). Em ambos os casos, a eficácia é de aproximadamente 90%. A escolha do esquema terapêutico a ser instituído obedecerá às características clínicas de cada paciente – idade, necessidade, ou não, de contracepção, existência de contra-indicações para o uso dos antiinflamatórios (gastrite), etc...

       “Incomodada ficava a sua avó!” Esta frase tornou-se muito conhecida, porquanto mote de um anúncio de absorventes higiênicos na televisão. A menstruação e as cólicas são tão antigas quanto a existência da Mulher sobre a Terra (dois milhões de anos). Com os recursos hoje disponíveis para o alívio das cólicas menstruais, dá vontade de repetir: “Incomodada ficava a sua avó”!

Dr. Carlos Antônio da Costa

Ginecologista e Obstetra

CRMSC 9758 – TEGO 035/79

www.drcarlos.med.br/

gocomponto@yahoo.com.br

 

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