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SAÚDE DA MULHER

ENDOMETRIOSE

       O endométrio constitui a camada mais interna do útero, forrando a sua cavidade. A cada ciclo menstrual, por influência dos hormônios ovarianos (estrogênio e progesterona), a porção mais superficial do endométrio se desprende, chegando ao exterior sob a forma de menstruação.

       A endometriose é uma doença na qual um tecido com as mesmas características do endométrio (dependênca hormonal) é encontrado fora da cavidade uterina, podendo localizar-se nos ovários, nas trompas, em cicatrizes de cesariana, na bexiga, intestinos, nos ligamentos que sustentam o útero e, até mesmo (embora muito raramente) nos pulmões e no cérebro.

       Até o momento, não se sabe a causa exata dessa patologia. Porém, existem várias teorias que procuram explicá-la. Muitos acreditam que os focos de endometriose teriam origem na menstruação retrógrada; isto é, minúsculos fragmentos de endométrio seriam regurgitados através das trompas, durante a menstruação, vindo a se implantar – e se desenvolver - na superfície das vísceras pélvicas. Uma outra teoria nos diz que os focos cresceriam a partir de células - já existentes no revestimento visceral - que se transformariam em células endometriais. Outros alegam que os focos seriam transportados – do interior do útero até os órgãos afetados - pela corrente sangüínea e linfática... Atualmente, cientistas da Universidade de Oxford (Inglaterra) procuram isolar um gene que seria o responsável pela doença. Talvez, a melhor explicação sobre causa desse problema esteja no somatório de todas essas teorias.

       Os focos de endometriose estão sujeitos às mesmas influências hormonais que o endométrio. Portanto, sangram como “mini-menstruações”. Diante desse sangramento - fora de lugar e sem escoamento para o exterior –, o organismo reage com uma inflamação local (dor), cujo resultado final pode ser o aparecimento de cicatrizes internas (aderências entre os órgãos pélvicos) e/ou cistos (endometriomas) que tendem a crescer a cada mês.

       Os principais sintomas da endometriose são a dor pélvica crônica e progressiva (antes, durante e após as menstruações), a dor (profunda) durante as relações sexuais e a infertilidade. O quadro doloroso está presente em até 85% dos casos; enquanto a infertilidade atinge entre 20 a 40% das pacientes portadoras dessa patologia.

       O diagnóstico é suspeitado pela história clínica e pelo exame ginecológico da paciente. Outros exames, como a dosagem sangüínea do CA-125 e a ultra-sonografia transvaginal também são muito úteis na investigação da doença. Entretanto, em muitos casos, a certeza diagnóstica só é possível com a utilização da vídeo-laparoscopia. Este procedimento - que nos permite visualizar o interior da cavidade abdominal (avaliação da extensão do problema) e biopsiar as lesões suspeitas - também é um excelente recurso terapêutico. Por meio da vídeo-laparoscopia podemos destruir os focos de endometriose e desfazer as aderências existentes.

       O tratamento da doença pode ser clínico, cirúrgico ou associar ambos. A escolha do melhor método terapêutico irá depender da intensidade dos sintomas, da extensão da doença, da idade da paciente e de seu desejo de engravidar. Portanto, cada caso deve ser analisado individualmente. O tratamento clínico, além de combater a dor (analgésicos e anti-inflamatórios), visa principalmente inibir o sangramento cíclico dos focos, atuando sobre sua dependência hormonal. Diversas substâncias que bloqueiam a ovulação, desde esquemas contínuos de pílulas anticoncepcionais até o uso de hormônios que provocam uma “menopausa medicamentosa”, são utilizadas para este fim.

       O tratamento cirúrgico, quando indicado, implica numa ampla gama de procedimentos que podem ir desde a simples destruição dos pequenos focos e das aderências, por vídeo-laparoscopia, até a cirurgia radical, na qual há necessidade de retirada do útero, trompas e ovários.

Dr. Carlos Antônio da Costa

Ginecologista e Obstetra

CRMSC 9758 – TEGO 035/79

www.drcarlos.med.br/

gocomponto@yahoo.com.br

 

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