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SAÚDE DA MULHER

FRIGIDEZ

       A palavra frigidez tem diversos significados para o público leigo, o que gera muita confusão. Fria ou “frígida” é, para muitos e muitas, a mulher que não tem vontade (interesse espontâneo) em ter relações sexuais, ou que não tem motivação – antevisão do prazer – para desejar o encontro amoroso, ou que não tem fantasias, pensamentos e sonhos eróticos, demonstrando total indiferença quanto ao sexo. Outro conceito popular é o de que também é fria a mulher que não apresenta qualquer reação genital (aumento da lubrificação vaginal) como resposta às carícias íntimas e aos estímulos do parceiro. Uma terceira definição leiga de frigidez associa essa palavra à incapacidade feminina de alcançar o orgasmo durante o coito, independentemente do desejo ou excitação.

 

       No meio científico – Sexologia -, frigidez é a perda ou ausência do desejo sexual (CID-10 = F52); uma disfunção absolutamente distinta da falha de resposta genital (aumento da umidade vaginal) e da anorgasmia (ausência de orgasmo). A frigidez, que no Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais da Associação Psiquiátrica Americana recebe a denominação de transtorno do desejo sexual hipoativo (DSM-IV = 302.71), é uma alteração primariamente psicológica, não sendo uma conseqüência de outras condições como cansaço, depressão, estresse, ansiedade, relacionamento desarmônico, uso de álcool ou drogas, doenças ginecológicas, etc. A frigidez não deve ser confundida com diminuição do impulso sexual (diminuição da libido) – “low sex drive” dos americanos – que pode ter causas fisiológicas (pós-parto), ser motivada por uma ampla gama de distúrbios hormonais – hipotireoidismo, por exemplo – ou ser resultado de mudanças na química cerebral, induzida por medicamentos com as mais diversas indicações (anticoncepcionais, ansiolíticos, antidepressivos, etc.

 

       Os estudos sobre a sexualidade humana, atualmente, transcendem a compreensão da fisiologia genital no coito. As pesquisas laboratoriais de Masters e Johnson, publicadas em 1966, dividiram a resposta sexual humana em quatro fases consecutivas: excitação, platô, orgasmo e resolução. Harold I. Lief, em 1977, ampliou para cinco o número de fases: desejo, excitação, vasocongestão, orgasmo e satisfação. Baseada na descrição de Lief, Helen Singer Kaplan, em 1979, propôs o conceito trifásico, envolvendo os seguintes estágios: desejo, excitação e orgasmo. Academicamente, portanto, deve-se a Lief e Kaplan a inclusão do desejo – fenômeno subjetivo e comportamental de extrema complexidade - como o primeiro degrau da fisiologia sexual; um degrau para o qual concorrem uma série de fatores sutis, como o pensamento, a imaginação (fantasias e sonhos), a evocação de uma iniciação prazerosa (masturbação, primeiro coito), a receptividade do(a) parceiro(a), etc. Mais recentemente (2001), a Drª. Rosemary Basson, do Centre for Sexual Medicine, em Vancouver, propôs um novo padrão para o ciclo da resposta sexual feminina, no qual o desejo não antecede obrigatoriamente a fase de excitação, como proposto por Kaplan. Segundo a Drª. Basson, o desejo também pode eclodir ao ser provocado pelo clima de intimidade, carinho e estímulos eróticos, sendo, portanto, um estágio posterior à excitação.

 

       A falta de desejo atinge cerca de um terço das mulheres que procuram terapia sexual. Diante dessa queixa, cabe ao terapeuta aprofundar a pesquisa diagnóstica para distinguir o caráter primário ou secundário dessa disfunção; isto é, torna-se fundamental saber se o desinteresse pelo sexo sempre existiu ao longo da vida da paciente, ou se estabeleceu pela interferência – isolada ou associada - de algum fator (doenças, medicamentos, alterações hormonais, depressão, relacionamento desgastado pela rotina, disfunção sexual do parceiro, etc.). O tratamento irá depender do diagnóstico de cada caso, podendo ser dirigido apenas para a mulher, apenas para o seu parceiro ou para ambos, utilizando recursos medicamentosos e/ou da psicoterapia cognitiva e comportamental.

 

       O transtorno do desejo sexual hipoativo pode ser tratado. Admitir a sua existência e buscar ajuda especializada são os primeiros passos para a cura.

 

Dr. Carlos Antônio da Costa

Ginecologista e Obstetra

CRMSC 9758 – TEGO 035/79

www.drcarlos.med.br/

gocomponto@yahoo.com.br

 

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