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SAÚDE DA MULHER

MENOPAUSA  E  REPOSIÇÃO HORMONAL

       Entre a quarta e a quinta décadas de vida, isto é, após os trinta e cinco anos, a mulher apresenta uma progressiva diminuição da sua atividade ovariana. A ovulação - e a produção de hormônios a ela associada – torna-se, a cada ano que passa, menos freqüente, anunciando a aproximação do término da capacidade reprodutiva (climatério). A irregularidade na produção de hormônios reflete-se nos ciclos menstruais que, a partir desta época, perdem o seu padrão habitual, passando a ser imprevisíveis quanto ao intervalo, a duração e o volume do sangramento, até que, por volta dos 50 anos, em média, a mulher tem a sua última menstruação (menopausa).

       Em linhas gerais, podemos dizer que a menopausa está para o climatério, assim como a menarca (a primeira menstruação) está para a adolescência. Isto é, ambos são marcos biológicos inseridos em períodos de transição da existência feminina, que trazem consigo inúmeras transformações físicas  (hormônio-dependentes) e que exigem novas adaptações no âmbito psíquico e social.

       Muitas mulheres atravessam o climatério sem apresentar qualquer tipo de sintoma. A maioria, porém, comparece aos consultórios dos ginecologistas, na pré ou pós-menopausa, com queixas típicas de desequilíbrio ou deficiência hormonal, tais como “ondas de calor” (que sobem pelo pescoço e alcançam a face, independentemente da temperatura ambiente), irregularidade menstrual, diminuição da lubrificação vaginal (que torna dolorosa a penetração nas relações sexuais), redução da libido, distúrbios do sono (insônia e transpiração noturna), palpitações, instabilidade emocional (irritação, ansiedade, depressão, etc.).

      A Terapia de Reposição Hormonal (TRH) é um dos recursos utilizados para o tratamento dos sintomas climatéricos e tem como fundamento corrigir a deficiência na pré e na pós-menopausa. O esquema de reposição a ser instituído - o tipo (ou tipos) de hormônio(s), a dose, a via de administração e a duração do tratamento –  deve ser específico para cada mulher; podendo, inclusive para uma mesma mulher, sofrer modificações ao longo do tempo.

       O emprego da TRH deve ser precedido por uma análise criteriosa e pormenorizada da relação risco/benefício, buscando-se aliviar os sintomas apresentados com as menores dosagens possíveis, visto que “o risco de desenvolvimento de câncer de mama, de problemas circulatórios coronarianos, pulmonares e cerebrais parecem aumentar de modo significante com o tempo de uso da medicação na pós-menopausa, especialmente nos regimes combinados contínuos, onde se empregam diária e concomitantemente estrogênios e progestogênios por mais de cinco anos”, alertam-nos os últimos estudos publicados sobre este assunto.

       Havendo contra-indicação para a TRH, outros medicamentos, como as isoflavonas (substâncias presentes na soja e outros vegetais), são alternativas válidas de tratamento, sob orientação médica.

       Quando sabemos que a expectativa de vida da mulher, na região sul do Brasil, é de 75 anos; isto é, quando sabemos que ela passará pelo menos um terço da sua existência na pós-menopausa, a última menstruação deve ser encarada como apenas um lembrete para que ela cultive – ou adquira - hábitos saudáveis, como fazer caminhadas (três vezes por semana), evitar comidas gordurosas (dar preferência às frutas, verduras e legumes), etc.

       O climatério é um período de transição; uma etapa da existência feminina cujas manifestações variam de mulher para mulher. Apesar das turbulências psíco-físicas, causadas pela deficiência hormonal, esta fase também deve ser vista como um portal para o crescimento interior e para a realização pessoal. Ultrapassar este portal é abrir o espírito para novas experiências e oportunidades; é  redescobrir vocações e aptidões que ficaram adormecidas ao longo dos anos; é despertar para o fato de que a feminilidade - e a vida - pode adquirir matizes interessantes e positivos com a inexorável passagem do tempo.

Dr. Carlos Antônio da Costa

Ginecologista e Obstetra

CRMSC 9758 – TEGO 035/79

www.drcarlos.med.br/

gocomponto@yahoo.com.br

 

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